quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Viajando

Hum, to indo pro Rio na quinta, vou ao Engrupedança como já disse outro dia. Quem quiser uma lembrancinha peça pra outra pessoa, meu orçamento é limitadíssimo! Mas trarei lembranças que poderei dividir com os amigos depois, quem quiser habilite-se. Volto no sábado paulistas, não fiquem com saudades.

Falando em viagem... na próxima quinta (05/10) vou pro Congresso de Iniciação Científica em S.J. do Rio Preto. Querida Cris, se você ainda passa por esse blog e ainda mora em Rio Preto fala comigo! Vou tentar encontrar seu e-mail, mas se passar por aqui deixe um recado. Quero ficar hospedada na sua casa.

Bom feriado!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Twittando

Eu confesso: tenho problemas pra acordar. E também pra viver aos domingos. Dani, juro que eu ia visitar vocês no domingo. O caso é que o Tomaz viajou e eu fiquei sozinha. Aproveitei meu dia de solidão ao máximo, saindo apenas para comer. No próximo fim de semana?

Sarau. Os dias que não foram dedicados exclusivamente ao sono e à solidão nesse feriado, foram dedicados ao Sarau. Mór delícia. Pessoas que a gente conhece por aqui e considera normais são redescobertas nesses dias, tem gente muito artista nesse IA.

Trânsito. Alguém mais tá prestando atenção na nova campanha sobre trânsito? A idéia é que as pessoas sejam educadas no trânsito como são na vida. Opa, mas já são, tão mal educadas na vida quanto no trânsito. O problema é que falta de educação na vida é crime contra a etiqueta, e no trânsito?

Xixi. Pra mim, a campanha do trânsito entra na turma das campanhas idiotas junto com a do xixi no banho. Alguém lembra? SOS Mata Atlântica promovendo o hábito de fazer xixi no banho pra economizar água da descarga. O problema dessa campanha é óbvio: todo mundo já faz xixi no banho!

Bruta flor. Ouvi dizer que tem uma peça em homenagem ao blog. Mentira! Mas tem uma peça por aí (Sesc Consolação) que tem a bruta flor no título. DE COMO FIQUEI BRUTA FLOR/ESPASMOS DE UM CORAÇÃO DESVAIRADO , da Cláudia Schapira. Vamos ver?

Cinema. Conforme já postei hoje, dia 21 estreia um curta que fiz com o Freddy Leal, mestrando do IA UNESP. Eu vi o filme na internet e agora falta a coragem de ver em tela grande. Sou a única atriz que aparece no filme, a participação do Roberto foi em off, e meu medo é que alguém xingue a atriz, há! Bom, dia 21 tá aí, vamo que vamo.

Engrupedança. De 29 a 31 de outubro acontece na UNIRIO o II Encontro de Grupos de Pesquisa em Dança (Engrupe). O primeiro encontro foi aqui em SP, no IA UNESP, em 2007. Algumas pessoas do grupo de pesquisa (GPDEE) vão apresentar trabalhos e eu vou pra ver e oficinar por lá. Acho que as inscrições para oficinas e workshops ainda estão abertas. No site .

Estreia no cinema

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sarau Experimental

Nesse final de semana prolongado vai acontecer o Sarau na UNESP. Eu gosto muito desse evento que tem uma proposta de organização muito boa. Todos os estudantes do Instituto de Artes tem um espaço pra experimentar idéias e refletir sobre esse pensar e fazer arte. Além de ser um espaço para os estudantes, o evento é aberto à comunidade e faz parte do princípio do Sarau que esse espaço seja aberto. No último Sarau, em 2008, aconteceram coisas muito legais e raras. Não havia bar vendendo cerveja, as pessoas se organizavam em pequenos grupos pra comprar a cerveja e passavam o chapéu. A bebida ficava na geladeira ao acesso de todos. O esquema de comida era parecido, os ingredientes pro cachorro quente ficavam a disposição e cada um montava seu dog e deixava uma colaboração na caixinha. A idéia de que o evento é feito por quem está lá e não por uma comissão organizadora, que todos que estão no lugar são responsáveis por ele e, portanto, não faz sentido contratar faxineiras e nem mesmo seguranças, são questões importantes que o Sarau levanta.
Neste ano, soube que a organização do Sarau sofreu pra fazer o evento, mudamos de campus e o novo é muito chique. A atual chiqueza do nosso campus está dificuldando a utilização do espaço pelos estudantes e pela comunidade. São infinitas regras e protocolos a cumprir, justificativas e tals pra fazer qualquer coisinha lá. Ainda por cima o prédio não pode estar aberto a noite... Então, esse ano, acho que o Sarau será um espaço pra pensar essas questões também, o próprio evento coloca tudo isso em questão.
Por essas e outras estarei no Sarau, provavelmente farei alguma intervenção, mas bem ao espírito do Sarau, não tenho certeza do quê farei nem quando farei. Minha viagem ao Rio no feriado parece que miou e resolvi estar no Sarau de última hora, por isso mesmo acho que será mais interessante. Convido e recomedo.

Sarau Experimental
10, 11 e 12 de outubro
Campus do IA UNESP
Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271
Barra Funda (em frente ao Metrô)

Acesse a programação do Sarau:
http://www.ia.unesp.br/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

corpos mudos

os corpos passam e passam
mórbidos
vivos e mortos em tempo real
invisíveis nas câmeras inteligentes
corpos invólucros,
embalagens biodegradáveis adequadas
corretos, secos
o corpo fala e diz que é hora: de trabalho, de descanso, de correr
é tempo de ir, sempre ir, sempre ir, ir ir ir ir ir ir
é tempo de ir a favor: do fluxo, da corrente, do tráfego
trafegar por mares já navegados, com pressa
corre que a vida vai! a vida não volta e os corpos menos ainda

corpo duro e uniforme na sua não-forma
preso à sua própria estratégia de não se deixar ver
corpo sem alma, sem identidade
silicone, tábua, tanquinho
clínica e salão de beleza, banho de lua pêlos claros
corpo estático
o andar que não se detém pela impossibilidade
corpo funcional, econômico e treinado para o nada
treinado, domesticado
cansado
o corpo fala e diz que não está

um degrau
um degrau que não estava na rua
um buraco na calçada e o corpo cai (ele não estava lá)
segure no corrimão: assim dizem ao corpo o que ele deve fazer a seguir
e o corpo não sabe onde estão suas pernas, o cóccix, a panturrilha, as escápulas
o corpo tropeça nas suas beiras
ele não vê sua morte nos outros corpos
jura que está vivinho da silva e goza às vezes.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

retratos e canções

Pensou em como poderia terminar com aquilo. Aquilo já durava alguns anos, não sabia exatamente quantos meses, dias, etc, porque não tinham uma data.
É, não tinham uma data. Os românticos podem discordar, mas não ter uma data era uma vantagem, desde o princípio. Não ter uma data podia ser um sintoma da coisa toda, mas pensava que essa coisa de data é uma forma de distração e mais importante para o comércio que para o casal. Achava ótimo não ter essa data.
Não tinha também fotos dos dois. Algumas fotos de um ou de outro e só. Teve uma vez uma foto de um sexo oral, mas numa das idas a foto oral se foi. A questão da foto se mostrou um pouco mais complexa, queria umas fotos agora. Fotos dos dois se beijando, tiradas com aquele braço esticado que quase aparece e estraga a beleza da cena. Não tinha nenhuma foto que pudesse ainda ser rasgada e jogada na água corrente. Rasgar umas fotos seria terapêutico além de marcar um fim. Imaginava porta-retratos com fotos de momentos românticos (vinho no parque), ou momentos de intimidade (com o olho cheio de remela), e como seria simbólico poder quebrá-los todos. A coisa da foto era uma falha, pelo menos agora, no final.
Por outro lado, podia comemorar o fato de não terem uma música. A ausência de uma música ou muitas músicas tema era coincidência, não estava articulada com algum princípio ético. Nada contra músicas tema. Bom, talvez não fosse coincidência. Pensava agora que não valorizava devidamente essas distrações próprias de casais. Coisinhas que dão o que pensar enquanto se suporta as violências e o tédio. Ouvir a música e pensar no outro, ou ouvir a música juntos e saber que o outro está pensando o mesmo que você, ou quase. Será? Uma vez deu um CD de presente, outras vezes compraram CDs juntos, mesmo esses CDs não renderam músicas "do" casal.
Como terminar tudo? Não haviam fotos a serem rasgadas, nem músicas pra ouvir e chorar, nem datas a serem esquecidas. Os rituais todos devem ter uma função, vai ver é isso, facilitam na hora de terminar. Quem segue os rituais deve saber o que fazer. Quem assina um contrato pode rompê-lo. Quem tira as fotos pode rasgá-las, quem troca presentes pode devolvê-los, quem tem música tema pode ouvir e chorar o fim.
Não tinha nada pra se segurar. Talvez tivesse sido tudo muito árido, muito direto. O fim, dessa perspectiva, ficava mais difícil do que imaginava. Fim e o quê? Depois do fim o quê? Nada pra rasgar, nada pra ouvir, nada
Talvez fosse melhor não ritualizar esse fim, não torná-lo um evento. Talvez pudesse esperar acabar, sem data definida, sem justificativas e culpas. Esperar, acabar, esperar

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Quarttet

Então eu fui assistir ao espetáculo dirigido por Bob Wilson. Apesar de ser minha primeira vez, imaginava mais ou menos o que iria encontrar. Gostei muito do espetáculo, entendo que essa declaração não tem a menor relevância, uma vez que a minha aprovação em nada muda o fato que Wilson é reconhecido como um dos maiores encenadores de todos os tempos. Por isso mesmo me contento em dizer que gostei, e muito. Por outro lado, algumas pessoas não gostaram, algumas saíram durante o espetáculo, ou seja, nem se deram ao trabalho de apreciar a obra. Eu fiquei sentada ao lado da porta e vi muitas das pessoas que saíram dos assentos pares. Muitos artistas, claro, pois era esse o público. Aí fiquei pensando: porque essas pessoas não podiam esperar o final do espetáculo? foram surpreendidas pela linguagem? não esperavam aquele tempo? A conclusão que cheguei é simples: não importa, ou importa tanto quanto eu dizer que gostei ou não.
Como dizia minha avó: gosto é igual cú, cada um tem o seu. Mas tem gente que acha que seu cú é mais cheiroso que o dos outros. Ai se faz necessário mostrar aos outros qual o perfume do seu cú, uma forma é sair durante a peça.