segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vende-se ou troca-se por equivalente

vou botar minha moral na banca hoje, vende-se a preço de oportunidade
moral novinha, mas não se enganem, não é dessas levianas que mudam a torto e a direito
apesar de nova, minha moral é de tradição
descolada no falar e representar
trabalhada nas novas mídias
salpicada de ideias revolucionárias do século passado
daquelas que não assustam mais os casais
e cheia de opinião
quem quer?
é só hoje

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

aniversário - envelheço na cidade

mais um ano que se passa, já não tenho a mesma idade e envelheço na cidade
quando eu cheguei aqui era tudo divino e maravilhoso, mesmo as chuvas e o metrô às 8 da manhã
isso faz mais de 8 anos
eu tinha 23 anos
lembro muito bem da primeira vez que cruzei a ipiranga e a avenida são joão
fiquei sabendo onde era o bar brahma
de lá pra cá foram tantos bares, ruas, monumentos, museus, teatros, amigos e aniversários...
não sei mais
sei que ao longo desses anos começou a existir uma família, sem que ninguém parisse, nem instituísse
família ê, família á
existiu-se também uma enorme rede de relações de amizade e amor
do núcleo familiar algo se expande em rede
e é rede mesmo, não é jargão, estamos conectados numa enorme rede de pescar
pescamos ilusões
e olha que não é tão fácil marcar uma pescaria nessa cidade de São Paulo

por ser aniversário tô aqui pensando na vida
parabéns, parabéns, hoje é o seu dia
que dia mais feliz
apesar de estar cansada de muitas coisas, amo o que me aconteceu nos últimos anos
fui virando uma adulta e descobrindo uns limites
pulando uns obstáculos
construindo uma comunidade alternativa
me apegando mais e mais às ações
querendo concretizar tudo
e tanta utopia junto
contradição

fiz aqui tudo que eu quis
quis muito o que nem sabia que ia querer
o mais loco é que isso não tem fim, não para
e cada dia é um dia único, apesar de andar pelo mesmo trilho de trem
cada dia uma ideia nova de querer
cada dia uma ideia de fazer
aos poucos, um tiquinho por dia
porque o tempo aqui é pouco
e a vida é muita



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

bolha x não

eu não vivo numa bolha
minha não-bolha é árida, esturricada
mas não é desértica, é cheia de figuras secas e espinhudas
muitas delas vivas, outras meio mortas
eu vivíssima querendo que as coisas me amem ou me odeiem

às vezes as coisas não querem sequer te odiar
na minha não-bolha as pessoas também me ignoram
nem percebem que estão lá
esse é meu maior pavor, os que ignoram a não-bolha e eu

eu toda agulha querendo explodir as bolhas alheias
por egoísmo mesmo, queria que todos sentissem e falassem
mas me ignoram e é a melhor maneira de preservarem seu mundo-bolha
dentro da não-bolha não se pode simplesmente esquecer

o meu lugar explodido
seco e habitado por seres e coisas
me proíbe de colorir o que é morto
me proíbe de ignorar o que é vivo

essas são as regras fundamentais da não-bolha
são duras e belas

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

o que não tem remédio

tudo morre, é certo. morre sim
se deixar quieto, morre. se agitar, morre
se espremer, morre bem rapidinho
se molhar demais, morre também

o jeito é deixar morrer, quando tá morrendo
ainda que os limites entre o ressuscitável e o morto suscitem dúvidas
uma vez morto, tá morrido
o jeito é deixar morrer em paz

chorar o morto e se jogar na cova
berrar e se agarrar ao corpo
cantar hinos e ladainhas
tudo pode e nada adianta

tudo morre, é certo. morre sim
se molhar demais, morre também

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

terrorismo anônimo

Sei que não é caso, que não recebo muitas visitas e tal. Talvez ninguém tenha acompanhado os comentários escrotos feitos às últimas postagens.
Só por isso vou limitar os comentários, estou me refugiando em diversos aspectos. Talvez tenha que matar o meu blog também... talvez falte até mesmo a vontade, como tem faltado tantas coisas atualmente.
Comprei até um caderninho e umas canetas, talvez tenha que ser assim.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

dia-a-dia

num dia tropeço
no outro levanto
num dia eu peço
no outro eu canto

num dia despeço
no outro eu tanto
num dia sucesso
no outro descanso

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

roupa dada não se olha os dentes

desde o nascimento eu tenho recebido roupas usadas. na infâncias as tias repassavam as roupas dos primos. as senhoras um pouco mais endinheiradas de vez em quando também. sempre usei roupa usada e peguei gosto

tem gente que tem nojo ou inventa que não é bom, que a roupa traz as vibrações do antigo dono
- deus me livre de misturar as minhas vibrações com desconhecidos
ou mesmo com conhecidos... nunca se sabe né?

eu que tenho gosto pela coisa já penso justamente que minhas vibrações tão aí pra se misturar
que quando eu uso a roupa de outro não deixo de ser eu, nem me atrapalho com meu eu. meu eu é você
meu eu não existe assim, puro no mundo. meu eu tá cheio de roupas usadas por incontáveis pessoas

pode ser questão de costume, é eu sou meus costumes
e costumo mesmo compartilhar roupas, espaços, copos e corpos
pode achar pouco higiênico, espiritualmente perigoso, virtualmente nojento. mas eu não aprendi assim, não.
aprendi a agradecer e usar os usados. e no fim, gosto de pensar que veio alguma história na roupa.

quem sou eu pra querer uma história individual? nã nã ni. nunca fiz questão de virgindade
quero miscelânea de roupa corpo e espírito. mas dizer o que? eu sou pobre, sempre fui
e pobre é dado a essas perversões, ô gentinha corticeira