Ele me levava pra pescar, mas antes eu o ajudava a pegar as minhocas e acomodá-las em latas de massa de tomate.
Ele pedia silêncio pra pescar, então eu ficava quietinha com minha vara na água esperando algum peixe beliscar.
Eu mesma colocava a minhoca no anzol pra ele não achar que eu era mulherzinha.
Eu era craque em pegar lambaris espertinhos e minúsculos.
Era eu quem tirava os peixes do meu anzol e colocava no covo, ele só olhava com o canto do olho.
Quando fisgava um bagre chorão ele vinha correndo me ajudar, porque o danado corta se colocar a mão.
E me salvava do peixe malvado com seu canivete poderoso.
Umas 10 hs da manhã a gente já estava com fome e ele sacava um pão com mortadela.
Aproveitava pra me ensinar a não deixar lixo na beira do rio e depois recomeçava a pescaria.
Eu torcia prum peixão beliscar o anzol dele, porque ele adorava uma boa briga.
Nessas ocasiões sempre tinha mais gente, mas parecia que éramos só nós dois.
Porque só eu levava o silêncio e os peixes a sério como ele, só eu conseguia fisgar os mini-lambaris, só eu colocava a minhoca direitinho no anzol, dispensava o cuzinho e deixava a cabeça na ponta.
Nessas ocasiões eu era o orgulho do papai e esses eram meus dias mais felizes.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
terça-feira, 28 de agosto de 2007
caixas
caixas de presente empilham-se na sala
nas mesas e cadeiras
embaixo da cama
caixas de passado empilhadas há tempos por todos os lados,
empoeiradas, cerradas e remexidas
até na geladeira junto com o leite velho
caixas de pandora/futuro no fundo de algum armário obtuso
ocluso
o leão, a feiticeira e o guarda-roupa esperam a menina
a esperança acena
nas mesas e cadeiras
embaixo da cama
caixas de passado empilhadas há tempos por todos os lados,
empoeiradas, cerradas e remexidas
até na geladeira junto com o leite velho
caixas de pandora/futuro no fundo de algum armário obtuso
ocluso
o leão, a feiticeira e o guarda-roupa esperam a menina
a esperança acena
Barlavento v.2
ativa superfície vê se ao longe
Desperta sob fluido rosa
desvia vida
Sobe infinito desce, lenta tortura
ajuda
Evitar.
Cabeça feita.
Desperta sob fluido rosa
desvia vida
Sobe infinito desce, lenta tortura
ajuda
Evitar.
Cabeça feita.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
o tempo passa, o tempo voa, e a poupança bamerindus continua numa boa...
Teve um tempo em que tudo estava tão longe de mim que eu não via possibilidade de mudança.
Teve um tempo que eu ouvia "tudo pode ser, se quiser será; sonho sempre vem pra quem sonhar" e sonhava em ser paquita.
Teve um tempo que eu inventei de ser economista, influência de um namorado normal que eu tinha na época.
Teve um tempo que eu tinha vergonha de desejar ser outra coisa.
Teve uma vez que me apaixonei por um rapaz de barba por fazer e camiseta do che guevara.
Teve um tempo em que eu era mais forte que meu irmão.
Teve uma época que eu enchia a cara de vinho vagabundo e chorava ouvindo legião urbana.
Teve uma época que eu era a madrasta da cinderela.
Teve uma época que eu assistia desenho de manhã e ana maria braga a tarde inteira.
Teve um tempo que eu vivia sem saber o que fazer, esperando que algo acontecesse.
Teve um tempo que eu tinha uma galinha em casa, ela se chamava sara lee.
Teve um tempo que eu achava que um dia alguém ia descobrir que eu era muito talentosa.
Teve uma época que eu morava com minha família numa casa de dois cômodos.
Teve uma época que eu tinha todos os avós.
Teve uma época que eu beijava a cidade inteira, mas não dava pra ninguém.
Teve uma vez que bati na cara de uma pessoa que eu amava.
Teve um tempo que eu dormia até às 11 e meia todo dia e acordava cansada.
Teve uma vez que achei que ia morrer, mas não lembro direito.
É, o tempo passa.
Teve um tempo que eu ouvia "tudo pode ser, se quiser será; sonho sempre vem pra quem sonhar" e sonhava em ser paquita.
Teve um tempo que eu inventei de ser economista, influência de um namorado normal que eu tinha na época.
Teve um tempo que eu tinha vergonha de desejar ser outra coisa.
Teve uma vez que me apaixonei por um rapaz de barba por fazer e camiseta do che guevara.
Teve um tempo em que eu era mais forte que meu irmão.
Teve uma época que eu enchia a cara de vinho vagabundo e chorava ouvindo legião urbana.
Teve uma época que eu era a madrasta da cinderela.
Teve uma época que eu assistia desenho de manhã e ana maria braga a tarde inteira.
Teve um tempo que eu vivia sem saber o que fazer, esperando que algo acontecesse.
Teve um tempo que eu tinha uma galinha em casa, ela se chamava sara lee.
Teve um tempo que eu achava que um dia alguém ia descobrir que eu era muito talentosa.
Teve uma época que eu morava com minha família numa casa de dois cômodos.
Teve uma época que eu tinha todos os avós.
Teve uma época que eu beijava a cidade inteira, mas não dava pra ninguém.
Teve uma vez que bati na cara de uma pessoa que eu amava.
Teve um tempo que eu dormia até às 11 e meia todo dia e acordava cansada.
Teve uma vez que achei que ia morrer, mas não lembro direito.
É, o tempo passa.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
noite de festa
Descia zigue-zagueando a nestor pestana, as pernas pesadas do vinho tinto seco chileno.
Zigue-zagueava em alta velocidade na rua das putas, ou pelo menos tentava. O cheiro de buceta da nestor a incomodava, não que se incomodasse com os puteiros, pelo contrário. Achava puteiro uma coisa honesta, simpatizava até, vendia sexo pra quem tinha dinheiro e vontade de comprar, mais direto impossível. Divagava e zigue-zagueava.
Voltava sozinha pra casa depois de mais uma noite de comemoração, era aniversário da amiga do amigo do amigo e uma ocasião dessas não poderia passar em branco. Tomaram muito vinho chileno e prosseco nacional, agora a cabeça girava e as pernas pesavam. E a nestor pestana parecia interminável.
No fim da rua ficava sua casa, lar doce lar, onde um colchão jogado no chão e uma TV em cima de uma caixa a esperavam. Que mais precisava? Uma cama, uma TV e uma comemoração de vez em quando.
Enquanto zigue-zagueava pela nestor, lembrava da discussão na mesa do bar, alguém tinha resolvido ser sincero e falar as verdades que todos calavam. Ela via a discussão e não conseguia entender, foi mais ou menos nessa hora que tudo começou a girar. Na mesa ninguém se ouvia, ela ouvia tudo e não entendia nada, porque estavam tão zangados? Aquelas bobagens ela já tinha ouvido em várias ocasiões, um sempre falava do outro quando o outro não estava, eles não sabiam disso? Girava, enjoava e não entendia mais nada. Não eram amigos, afinal? Levantou e foi embora, não se interessava pelo fim daquilo.
Chegando em casa fez o de praxe, tirou a roupa que cheirava a cigarro e jogou dentro do armário bagunçado, escovou os dentes e deitou. Levantou, vomitou o vinho tinto, o prosseco, as torradas de alho com sardela e voltou a deitar sem escovar os dentes. Dormiu um sono estranhamente tranquilo, nenhum sonho bêbado.
Acordou cedo, que era dia de trabalho, a cabeça ainda pesada do prosseco, as pernas moles do vinho. Sempre acabava se arrependendo dessas noitadas no meio da semana. Tomou um banho pra acordar e tirar o cheiro de fumaça do cabelo, vomitou uma gosma verde, escovou os dentes, escolheu uma roupa qualquer entre as menos amassadas e foi.
Zigue-zagueava em alta velocidade na rua das putas, ou pelo menos tentava. O cheiro de buceta da nestor a incomodava, não que se incomodasse com os puteiros, pelo contrário. Achava puteiro uma coisa honesta, simpatizava até, vendia sexo pra quem tinha dinheiro e vontade de comprar, mais direto impossível. Divagava e zigue-zagueava.
Voltava sozinha pra casa depois de mais uma noite de comemoração, era aniversário da amiga do amigo do amigo e uma ocasião dessas não poderia passar em branco. Tomaram muito vinho chileno e prosseco nacional, agora a cabeça girava e as pernas pesavam. E a nestor pestana parecia interminável.
No fim da rua ficava sua casa, lar doce lar, onde um colchão jogado no chão e uma TV em cima de uma caixa a esperavam. Que mais precisava? Uma cama, uma TV e uma comemoração de vez em quando.
Enquanto zigue-zagueava pela nestor, lembrava da discussão na mesa do bar, alguém tinha resolvido ser sincero e falar as verdades que todos calavam. Ela via a discussão e não conseguia entender, foi mais ou menos nessa hora que tudo começou a girar. Na mesa ninguém se ouvia, ela ouvia tudo e não entendia nada, porque estavam tão zangados? Aquelas bobagens ela já tinha ouvido em várias ocasiões, um sempre falava do outro quando o outro não estava, eles não sabiam disso? Girava, enjoava e não entendia mais nada. Não eram amigos, afinal? Levantou e foi embora, não se interessava pelo fim daquilo.
Chegando em casa fez o de praxe, tirou a roupa que cheirava a cigarro e jogou dentro do armário bagunçado, escovou os dentes e deitou. Levantou, vomitou o vinho tinto, o prosseco, as torradas de alho com sardela e voltou a deitar sem escovar os dentes. Dormiu um sono estranhamente tranquilo, nenhum sonho bêbado.
Acordou cedo, que era dia de trabalho, a cabeça ainda pesada do prosseco, as pernas moles do vinho. Sempre acabava se arrependendo dessas noitadas no meio da semana. Tomou um banho pra acordar e tirar o cheiro de fumaça do cabelo, vomitou uma gosma verde, escovou os dentes, escolheu uma roupa qualquer entre as menos amassadas e foi.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Argumentos
- Mas você está racionalizando um impulso seu e transformando em argumento.
- Sim, e você está fazendo o quê?
argumento:
1 - Rubrica: termo jurídico.
razão, raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo
2 - prova que serve para afirmar ou negar um fato
3 - recurso para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento
4 - disputa de palavras; contenda
5 - aquilo que constitui um assunto; temática
e eu acrescento mais uma:
6 - racionalização de impulsos com a intenção de convencer o interlocutor.
- Sim, e você está fazendo o quê?
argumento:
1 - Rubrica: termo jurídico.
razão, raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo
2 - prova que serve para afirmar ou negar um fato
3 - recurso para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento
4 - disputa de palavras; contenda
5 - aquilo que constitui um assunto; temática
e eu acrescento mais uma:
6 - racionalização de impulsos com a intenção de convencer o interlocutor.
astral do dia
Aquário
Tire as próximas semanas pra encarar medos, temores e aprender mais a respeito de seu psiquismo. Aprender a perder e abrir mão do que é acessório em sua vida são pontos fortes da passagem do Sol por Virgem, que começa hoje. Em destaque: finanças, dividas, heranças.
Tire as próximas semanas pra encarar medos, temores e aprender mais a respeito de seu psiquismo. Aprender a perder e abrir mão do que é acessório em sua vida são pontos fortes da passagem do Sol por Virgem, que começa hoje. Em destaque: finanças, dividas, heranças.
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