É tanta coisa a dizer que calo.
Tanta indignação, dor e saudade, amor e descoberta.
Trânsito, tristeza, tato.
É vida e diante da vida, calo.
Palavras são só palavras, por mais indignadas ou lindas que sejam. Vida é vida, e vou dizer o quê?
Mania de dizer e dizer e dizer e...
São tantas coisas, choro, espirro e gozo. Ao mesmo tempo.
O que dizer durante a queda livre?
terça-feira, 3 de junho de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Sarau da Experimentação
Neste sábado, dia 10, vai acontecer o Sarau da Experimentação, no Campus da Unesp. Será um encontro pra troca de experiências, para mostrar trabalhos ainda em fase de construção e experimentação.
Quem quiser, é só chegar, eu vou experimentar uma cena também.
Aliás, esse texto aí embaixo é pra essa cena.
Sarau da Experimentação
Neste sábado, l0 de maio
Campus da Unesp
R: Dom Luis Lasagna, 400, Ipiranga.
Horário: 20 hs.
Quem quiser, é só chegar, eu vou experimentar uma cena também.
Aliás, esse texto aí embaixo é pra essa cena.
Sarau da Experimentação
Neste sábado, l0 de maio
Campus da Unesp
R: Dom Luis Lasagna, 400, Ipiranga.
Horário: 20 hs.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Esclarecimentos sobre a cegueira
Aconteceu, todos os homens cegaram.
No trabalho, a caminho, no banho, nas universidades, nos bares, nas casas
Todos cegos.
Ao contrário do que se esperava, quase nada mudou
A rotina se arranjou muito bem com essa cegueira, dizem até que melhorou.
Mas é inegável, a cegueira se espalhou
Em todas as classes sociais.
Dizem até que não é mais correto falar em:
1- Classe social
2- Luta de classes
Os motivos são óbvios, havendo uma só classe:
Os cegos
Não temos mais razão pra falar em classes e menos ainda em luta, termo este que já estava há muito ultrapassado.
Todos os homens são iguais perante a constituição
Todos os homens são iguais na sua cegueira.
Sendo assim, prevendo que algum homem possa ser imune à cegueira, ou se recuperar dela, fica decretado:
- Aquele que ao abrir os olhos puder ver, será excluído do convívio em nossa sociedade. Condenado ao exílio, que viva onde não houver cegueira. Caso o condenado não encontre lugar para viver, poderá ele mesmo providenciar sua cegueira. Furando os olhos ou coisa parecida.
Esperamos com esse decreto, evitar tumultos e agitação, que podem ocorrer enquanto houver diferenças.
De hoje em diante, podemos comemorar, a igualdade tão esperada é agora realidade.
No trabalho, a caminho, no banho, nas universidades, nos bares, nas casas
Todos cegos.
Ao contrário do que se esperava, quase nada mudou
A rotina se arranjou muito bem com essa cegueira, dizem até que melhorou.
Mas é inegável, a cegueira se espalhou
Em todas as classes sociais.
Dizem até que não é mais correto falar em:
1- Classe social
2- Luta de classes
Os motivos são óbvios, havendo uma só classe:
Os cegos
Não temos mais razão pra falar em classes e menos ainda em luta, termo este que já estava há muito ultrapassado.
Todos os homens são iguais perante a constituição
Todos os homens são iguais na sua cegueira.
Sendo assim, prevendo que algum homem possa ser imune à cegueira, ou se recuperar dela, fica decretado:
- Aquele que ao abrir os olhos puder ver, será excluído do convívio em nossa sociedade. Condenado ao exílio, que viva onde não houver cegueira. Caso o condenado não encontre lugar para viver, poderá ele mesmo providenciar sua cegueira. Furando os olhos ou coisa parecida.
Esperamos com esse decreto, evitar tumultos e agitação, que podem ocorrer enquanto houver diferenças.
De hoje em diante, podemos comemorar, a igualdade tão esperada é agora realidade.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Convite
quarta-feira, 9 de abril de 2008
AAAAI
Ok, eu sei que ando sumida daqui... mas estou muito ocupada de verdade, quero dizer de corpo e mente, e não tenho conseguido postar nada.
Mas, como hoje estou revoltada, quero reclamar:
SIM, AS MULHERES BONITAS, LOURAS E INTELIGENTES SOFREM PRECONCEITO!
Ou, pelo menos, eu sofro. Principalmente onde menos se espera, na universidade pública, e mais chocante: na área de artes. Infelizmente as pessoas são muito mal formadas e informadas, e só pra deixar claro, não falo só daqui da minha universidadezinha atual, mas de outras instituições e grupos que conheci ao longo da minha curta vida.
E só pra constar, sou bonita, loura e inteligente, mas não estou a serviço do imperialismo ideológico e econômico, não sou defensora do capitalismo, e sou representante legítima da classe operária (adoram esses termos), meu paizinho é torneiro mecânico e minha mãezinha é costureira, e como se já não bastasse minha origem para me legitimar, eu sempre trabalhei pra me sustentar. Tá bom pra vocês, ou precisa mais?
Antes que eu me esqueça, vão a merda, por favor!
PS: Um outro dia vou explorar melhor esse assunto, hoje foi só pra botar pra fora.
Mas, como hoje estou revoltada, quero reclamar:
SIM, AS MULHERES BONITAS, LOURAS E INTELIGENTES SOFREM PRECONCEITO!
Ou, pelo menos, eu sofro. Principalmente onde menos se espera, na universidade pública, e mais chocante: na área de artes. Infelizmente as pessoas são muito mal formadas e informadas, e só pra deixar claro, não falo só daqui da minha universidadezinha atual, mas de outras instituições e grupos que conheci ao longo da minha curta vida.
E só pra constar, sou bonita, loura e inteligente, mas não estou a serviço do imperialismo ideológico e econômico, não sou defensora do capitalismo, e sou representante legítima da classe operária (adoram esses termos), meu paizinho é torneiro mecânico e minha mãezinha é costureira, e como se já não bastasse minha origem para me legitimar, eu sempre trabalhei pra me sustentar. Tá bom pra vocês, ou precisa mais?
Antes que eu me esqueça, vão a merda, por favor!
PS: Um outro dia vou explorar melhor esse assunto, hoje foi só pra botar pra fora.
segunda-feira, 24 de março de 2008
auto-retrato
Ela olha meu auto-retrato na parede e acha que é muito triste.
Não sabe que se trata de auto-retrato, eu não acho triste.
Respondo que é meio triste e meio perplexo.
Ela discorda: é triste.
Digo que tristeza não é uma coisa ruim, depende. E além do mais temos as borboletas, logo ali na parede ao lado. Nem tudo é tristeza, nem perplexidade nessa casa. Temos as borboletas e as samambaias.
Ela parece achar pouco: é muito triste.
Não sabe que se trata de auto-retrato, eu não acho triste.
Respondo que é meio triste e meio perplexo.
Ela discorda: é triste.
Digo que tristeza não é uma coisa ruim, depende. E além do mais temos as borboletas, logo ali na parede ao lado. Nem tudo é tristeza, nem perplexidade nessa casa. Temos as borboletas e as samambaias.
Ela parece achar pouco: é muito triste.
terça-feira, 18 de março de 2008
Pulgas
Uma das pulgas que anda picando atrás da minha orelha,é a pulga das câmeras de segurança.
Alguém mais notou que o número de reportagens em telejornais utilizando câmeras de segurança está crescendo?
Em uma semana devo ter visto umas 3 matérias sobre confusões em posto de gasolina. Os postos de gasolina estão ficando mais importantes, ou a importância reside (na curiosidade) de registrar imagens de pessoas que não têm consciência de que estão sendo filmadas?
Sim, todos sabemos que as câmeras de segurança estão em quase todos os lugares, mas elas estão lá em cima, são pequenininhas e justamente pelo fato de estarem em todos os locais, já foram incorporadas como parte da vida muderna. Em outras palavras perdemos a consciência da sua presença.
Não é novidade pra ninguém o interesse que temos em fuxicar a vida dos outros, temos aí vários exemplos de reality shows e similares para provar. A meu ver, participar de um reality show é uma atividade extra-cotidiana e depende da disposição do participante, ele tem consciência de onde está se metendo e se mete justamente por necessidade de se expor, aparecer, ficar famoso, etc. E não faltam intelectuais para escrachar a existência dos tais programas, justamente por isso e outros fatores sobre os quais não vou entrar em detalhes.
O principal problema da câmera de segurança é justamente a perda da consciência da sua presença, o (in)felizardo que trabalhar diante do monitor de uma dessas câmeras deve se esbaldar com os recortes de vida real que vê por ali, gente coçando a bunda, ajeitando o sutiã, se amassando no elevador, discutindo, e por aí vai...
E a câmera serve pra quê? Acho que uma função positiva é justamente registrar qualquer crime que ocorra dentro do seu foco de registro, num assalto por exemplo, as imagens ficam registradas e podemos sonhar com a possível captura não somente da imagem do ladrão, mas também do próprio ladrão. Dentro de um processo jurídico, certamente as imagens podem ser muito úteis, mas será que realmente são?
Voltando à questão da exibição dessas imagens em rede nacional... Qual a relevância? Uma notícia sem imagem não tem importância ou não tem impacto? Se as imagens fossem captadas por um repórter, de câmera em punho, onde todos os envolvidos estivessem conscientes da sua presença, essas imagens teriam o mesmo caráter? Ou os envolvidos se sentiriam inibidos?
Quando crimes como espancamentos, atropelamentos, assassinatos são exibidos através de imagens captadas pelas câmeras de segurança, temos a impressão que é realmente importante exibir as imagens e chamar a atenção sobre esses crimes, além do prazer de fuxicar, é claro... Mas a partir do momento que brigas em condomínios nos Jardins, entre estressados membros da nossa má educada classe média, se tornam notícia, não dá mais pra ignorar.
Que porra me interessa essa briga? Qual a relevância jornalistica? Será que não tinha nenhuma notícia mais séria pra ocupar o lugar dessa? O caminho do telejornal é se tornar mais um reality show?
O que eu quero dizer com tudo isso é: não devemos aceitar tudo que existe por aí como se fosse natural, ético ou digno. As câmeras de segurança têm uma função, mas isso não significa que estejam cumprindo essa função, e mesmo essa função deve ser questionada de vez em quando. O mesmo vale para o jornalismo e a televisão, aliás vale pra qualquer assunto, ou não vale?
Alguém mais notou que o número de reportagens em telejornais utilizando câmeras de segurança está crescendo?
Em uma semana devo ter visto umas 3 matérias sobre confusões em posto de gasolina. Os postos de gasolina estão ficando mais importantes, ou a importância reside (na curiosidade) de registrar imagens de pessoas que não têm consciência de que estão sendo filmadas?
Sim, todos sabemos que as câmeras de segurança estão em quase todos os lugares, mas elas estão lá em cima, são pequenininhas e justamente pelo fato de estarem em todos os locais, já foram incorporadas como parte da vida muderna. Em outras palavras perdemos a consciência da sua presença.
Não é novidade pra ninguém o interesse que temos em fuxicar a vida dos outros, temos aí vários exemplos de reality shows e similares para provar. A meu ver, participar de um reality show é uma atividade extra-cotidiana e depende da disposição do participante, ele tem consciência de onde está se metendo e se mete justamente por necessidade de se expor, aparecer, ficar famoso, etc. E não faltam intelectuais para escrachar a existência dos tais programas, justamente por isso e outros fatores sobre os quais não vou entrar em detalhes.
O principal problema da câmera de segurança é justamente a perda da consciência da sua presença, o (in)felizardo que trabalhar diante do monitor de uma dessas câmeras deve se esbaldar com os recortes de vida real que vê por ali, gente coçando a bunda, ajeitando o sutiã, se amassando no elevador, discutindo, e por aí vai...
E a câmera serve pra quê? Acho que uma função positiva é justamente registrar qualquer crime que ocorra dentro do seu foco de registro, num assalto por exemplo, as imagens ficam registradas e podemos sonhar com a possível captura não somente da imagem do ladrão, mas também do próprio ladrão. Dentro de um processo jurídico, certamente as imagens podem ser muito úteis, mas será que realmente são?
Voltando à questão da exibição dessas imagens em rede nacional... Qual a relevância? Uma notícia sem imagem não tem importância ou não tem impacto? Se as imagens fossem captadas por um repórter, de câmera em punho, onde todos os envolvidos estivessem conscientes da sua presença, essas imagens teriam o mesmo caráter? Ou os envolvidos se sentiriam inibidos?
Quando crimes como espancamentos, atropelamentos, assassinatos são exibidos através de imagens captadas pelas câmeras de segurança, temos a impressão que é realmente importante exibir as imagens e chamar a atenção sobre esses crimes, além do prazer de fuxicar, é claro... Mas a partir do momento que brigas em condomínios nos Jardins, entre estressados membros da nossa má educada classe média, se tornam notícia, não dá mais pra ignorar.
Que porra me interessa essa briga? Qual a relevância jornalistica? Será que não tinha nenhuma notícia mais séria pra ocupar o lugar dessa? O caminho do telejornal é se tornar mais um reality show?
O que eu quero dizer com tudo isso é: não devemos aceitar tudo que existe por aí como se fosse natural, ético ou digno. As câmeras de segurança têm uma função, mas isso não significa que estejam cumprindo essa função, e mesmo essa função deve ser questionada de vez em quando. O mesmo vale para o jornalismo e a televisão, aliás vale pra qualquer assunto, ou não vale?
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