não era isso que eu ia dizer
as unhas se gastaram no atrito com a palma da mão
eu queria contar o que aconteceu enquanto você estava
ou sobre os pelos e cabelos que ficaram na cama e guardei
te falar porque não sei ser delicada
que tenho medo de ser esquecida
e que mordo meus próprios dentes
ou podia descrever o que aconteceu quando desci sonolenta da cama:
que os pés fincaram no mesmo chão, mas não tinha chão
mas eu disse: bom dia a gente se fala
um grunhido saiu querendo dizer o resto
e um abraço atrapalhado
(desculpa?)
segunda-feira, 22 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
a conta, por favor
entraram, sentaram e se puseram a falar em voz alta diante de mim
tentei dizer uma coisa, aparentemente sem importância, pois não me deram ouvidos
fiquei ouvindo, incomodada pelo som das vozes altas demais pra mim
me fizeram uma pergunta à qual respondi prontamente até ser interrompida
consegui dizer pouco, mas parece que o tema não os interessava (apesar de terem perguntado)
continuei ouvindo, porque estavam diante de mim, sentados nas minhas cadeiras e assim manda a boa educação
ofereci jantar, aceitaram
ofereci café, aceitaram
água, aceitaram
levei-os pra passear, aceitaram
animada pelos acontecimentos, pedi uma cerveja e comecei mais um assunto
aparentemente eu não era especialista, ou era meio cismada
parece que sou um pouco exagerada também
fato é que tinham mais a falar do que a ouvir de mim
pedi mais uma cerveja
me ofereci pra pagar a maior parte da conta, aceitaram porque eu tinha bebido mais
ufa
pelo menos posso pagar a conta sem discutir
tentei dizer uma coisa, aparentemente sem importância, pois não me deram ouvidos
fiquei ouvindo, incomodada pelo som das vozes altas demais pra mim
me fizeram uma pergunta à qual respondi prontamente até ser interrompida
consegui dizer pouco, mas parece que o tema não os interessava (apesar de terem perguntado)
continuei ouvindo, porque estavam diante de mim, sentados nas minhas cadeiras e assim manda a boa educação
ofereci jantar, aceitaram
ofereci café, aceitaram
água, aceitaram
levei-os pra passear, aceitaram
animada pelos acontecimentos, pedi uma cerveja e comecei mais um assunto
aparentemente eu não era especialista, ou era meio cismada
parece que sou um pouco exagerada também
fato é que tinham mais a falar do que a ouvir de mim
pedi mais uma cerveja
me ofereci pra pagar a maior parte da conta, aceitaram porque eu tinha bebido mais
ufa
pelo menos posso pagar a conta sem discutir
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
alminha
noutro dia fiz anos e ganhei uma alminha. não foi uma alma qualquer, foi uma al(minha).
alma parece ser uma coisa grande né? a minha coube na palma da mão e fiquei muito tempo olhando pra ela.
quis encontrar uma concha pra minha alminha. caixa não serve, gaveta não, estojo tampouco.
não tenho uma concha.
na falta da concha, minha alminha está exposta. temporariamente aninhada entre uma e outra pilha de livros não lidos.
fico muito tempo olhando pra ela.
parece que ela quer me contar alguma coisa, ou eu gostaria de lhe dizer que faça isso e aquilo.
ainda não falamos nada. e eu tenho dito tantas bobagens, tenho me repetido tanto, que não tenho coragem.
talvez nunca tenha.
tenho medo que minha alminha mude, tenho medo de colocar um acessório inútil que disfarce a ausência de concha, tenho medo de tirar o que a faz ser minha alminha.
tenho olhado pra ela todos os dias, apesar de ser tão pequenininha entre as coisas da estante, tomou todo o espaço do quarto
alma parece ser uma coisa grande né? a minha coube na palma da mão e fiquei muito tempo olhando pra ela.
quis encontrar uma concha pra minha alminha. caixa não serve, gaveta não, estojo tampouco.
não tenho uma concha.
na falta da concha, minha alminha está exposta. temporariamente aninhada entre uma e outra pilha de livros não lidos.
fico muito tempo olhando pra ela.
parece que ela quer me contar alguma coisa, ou eu gostaria de lhe dizer que faça isso e aquilo.
ainda não falamos nada. e eu tenho dito tantas bobagens, tenho me repetido tanto, que não tenho coragem.
talvez nunca tenha.
tenho medo que minha alminha mude, tenho medo de colocar um acessório inútil que disfarce a ausência de concha, tenho medo de tirar o que a faz ser minha alminha.
tenho olhado pra ela todos os dias, apesar de ser tão pequenininha entre as coisas da estante, tomou todo o espaço do quarto
sábado, 9 de fevereiro de 2013
o sentido do carnaval
eu te levaria pela mão e ia te mostrar que esse negócio que dizem que já morreu (o sentido do carnaval) tá por aí. imagino que se você acreditasse no carnaval seria mais simples olhar pra você sem sorrir, andar de cavalinho, beijar sua nuca, correr dando risada, pular em cima da cama, te mostrar as batidas do meu coração. é difícil convencer alguém oferecendo tão pouco, eu sei. pra você acreditar no carnaval, teria que acreditar que as coisas não têm um sentido único. teria que achar que nada é mais bonito que um espasmo. você teria que querer esquecer que tipo de sujeito acredita que é. você teria que conhecer e amar a inutilidade de uma ação. as inutilidades são fundamentais, ou não são? se você aceitasse o carnaval, a gente poderia fazer o que temos evitado por pura falta de lógica. se você amasse o carnaval como eu, colocaria sua cabeça no meu colo e beijaria minha barriga só pra ouvir o estalo. riríamos juntos de nada especial. não seríamos mais irônicos publicamente e talvez fôssemos mais felizes. se você quisesse, teríamos até terça-feira pra tentar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
não lembro de quando é esse texto
tempo silêncio
mesmo que o tempo e o silêncio sejam pequenos
ar, quando nada acontece
às vezes um balão incha de cor algum pedaço de ar
eventualmente o tempo se colore, mas basta um estouro
puf, sem cor, sem pedaço, nada
há pouco tempo me via num tumulto emaranhado de vontades
há pouco tempo me via cheia de novidades
sapatos coloridos, poças d’água
mijo
agora gostaria de silêncio
de estouro e ausência
o tumulto está cheio de pretextos que se acumularam de tal forma
que tornaram tudo bobo, infantil
filhos, amigos, família, profissão, crença
manias, álcool e outras drogas
super heroísmo e sexo
bondade
não adianta mais rasgar a pele, nem gritar
agora só o ar e o silêncio
mesmo que o tempo e o silêncio sejam pequenos
ar, quando nada acontece
às vezes um balão incha de cor algum pedaço de ar
eventualmente o tempo se colore, mas basta um estouro
puf, sem cor, sem pedaço, nada
há pouco tempo me via num tumulto emaranhado de vontades
há pouco tempo me via cheia de novidades
sapatos coloridos, poças d’água
mijo
agora gostaria de silêncio
de estouro e ausência
o tumulto está cheio de pretextos que se acumularam de tal forma
que tornaram tudo bobo, infantil
filhos, amigos, família, profissão, crença
manias, álcool e outras drogas
super heroísmo e sexo
bondade
não adianta mais rasgar a pele, nem gritar
agora só o ar e o silêncio
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
menino
chamado menino
- vem cá menino
menino indo, menino sendo
o olho do menino é reto, a mão branca, o cheiro é água e sal
o gosto de clara, o sorriso sem mágoa
o menino vai sendo menino
chama chega chupa chove chapa
canta clareia caçoa
cita, solta
uma lagriminha
menino ainda, sendo chamado menino
- você desiste?
- nunca
- vem cá menino
menino indo, menino sendo
o olho do menino é reto, a mão branca, o cheiro é água e sal
o gosto de clara, o sorriso sem mágoa
o menino vai sendo menino
chama chega chupa chove chapa
canta clareia caçoa
cita, solta
uma lagriminha
menino ainda, sendo chamado menino
- você desiste?
- nunca
Assinar:
Postagens (Atom)