não tem mais catarse
ou de repente não é nada disso, é só bobagem cotidiana
de gente que tem medo de beber demais e morrer cedo
gente que fuma e tem medo de câncer
e a catarse tá ali dissolvida no dia pesado, nos gritos
nas risadas exaltadas
no corre-corre do busão
nas emoções via sms
a boba bancando a arrogante que não transa catarse
que transa amizades
e pequenas putarias
de vez em quando uns abalos
umas perguntas engatadas em outras
sem fim
querendo nunca ser medíocre, mas sendo
umas piadas e discursos exaltados
muitas palavras e temas pra escapar do inevitável, o seu pequeno tamanho
esse negócio de grande e pequeno é besteira e tal
é um belo exercício retórico, rende algumas gracinhas
que uso depois nas festinhas
é tudo inha
porque tinha que pagar a conta de luz no dia certo, pelo menos uma vez
arrumar mais um trampinho
ligar pra mãe
aspirar o pó
bobagem
e se não fosse a bobagem do dia vivo
o suor fedido na calçada, correndo
do que eu ia falar?
vou indo inha
pra lá e pra cá atrás de uns sonhos
um teto e umas ideias
vou falar do quê,
das flores?
terça-feira, 6 de março de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
vende-se ou troca-se por equivalente
vou botar minha moral na banca hoje, vende-se a preço de oportunidade
moral novinha, mas não se enganem, não é dessas levianas que mudam a torto e a direito
apesar de nova, minha moral é de tradição
descolada no falar e representar
trabalhada nas novas mídias
salpicada de ideias revolucionárias do século passado
daquelas que não assustam mais os casais
e cheia de opinião
quem quer?
é só hoje
moral novinha, mas não se enganem, não é dessas levianas que mudam a torto e a direito
apesar de nova, minha moral é de tradição
descolada no falar e representar
trabalhada nas novas mídias
salpicada de ideias revolucionárias do século passado
daquelas que não assustam mais os casais
e cheia de opinião
quem quer?
é só hoje
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
bolha x não
eu não vivo numa bolha
minha não-bolha é árida, esturricada
mas não é desértica, é cheia de figuras secas e espinhudas
muitas delas vivas, outras meio mortas
eu vivíssima querendo que as coisas me amem ou me odeiem
às vezes as coisas não querem sequer te odiar
na minha não-bolha as pessoas também me ignoram
nem percebem que estão lá
esse é meu maior pavor, os que ignoram a não-bolha e eu
eu toda agulha querendo explodir as bolhas alheias
por egoísmo mesmo, queria que todos sentissem e falassem
mas me ignoram e é a melhor maneira de preservarem seu mundo-bolha
dentro da não-bolha não se pode simplesmente esquecer
o meu lugar explodido
seco e habitado por seres e coisas
me proíbe de colorir o que é morto
me proíbe de ignorar o que é vivo
essas são as regras fundamentais da não-bolha
são duras e belas
minha não-bolha é árida, esturricada
mas não é desértica, é cheia de figuras secas e espinhudas
muitas delas vivas, outras meio mortas
eu vivíssima querendo que as coisas me amem ou me odeiem
às vezes as coisas não querem sequer te odiar
na minha não-bolha as pessoas também me ignoram
nem percebem que estão lá
esse é meu maior pavor, os que ignoram a não-bolha e eu
eu toda agulha querendo explodir as bolhas alheias
por egoísmo mesmo, queria que todos sentissem e falassem
mas me ignoram e é a melhor maneira de preservarem seu mundo-bolha
dentro da não-bolha não se pode simplesmente esquecer
o meu lugar explodido
seco e habitado por seres e coisas
me proíbe de colorir o que é morto
me proíbe de ignorar o que é vivo
essas são as regras fundamentais da não-bolha
são duras e belas
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
o que não tem remédio
tudo morre, é certo. morre sim
se deixar quieto, morre. se agitar, morre
se espremer, morre bem rapidinho
se molhar demais, morre também
o jeito é deixar morrer, quando tá morrendo
ainda que os limites entre o ressuscitável e o morto suscitem dúvidas
uma vez morto, tá morrido
o jeito é deixar morrer em paz
chorar o morto e se jogar na cova
berrar e se agarrar ao corpo
cantar hinos e ladainhas
tudo pode e nada adianta
tudo morre, é certo. morre sim
se molhar demais, morre também
se deixar quieto, morre. se agitar, morre
se espremer, morre bem rapidinho
se molhar demais, morre também
o jeito é deixar morrer, quando tá morrendo
ainda que os limites entre o ressuscitável e o morto suscitem dúvidas
uma vez morto, tá morrido
o jeito é deixar morrer em paz
chorar o morto e se jogar na cova
berrar e se agarrar ao corpo
cantar hinos e ladainhas
tudo pode e nada adianta
tudo morre, é certo. morre sim
se molhar demais, morre também
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
dia-a-dia
num dia tropeço
no outro levanto
num dia eu peço
no outro eu canto
num dia despeço
no outro eu tanto
num dia sucesso
no outro descanso
no outro levanto
num dia eu peço
no outro eu canto
num dia despeço
no outro eu tanto
num dia sucesso
no outro descanso
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
tum tum
eu tenho um coração
está confirmadíssimo
dia desses ele bateu todo errado
coração que não dispara não presta
é morto da silva
precisa de um susto
está confirmadíssimo
dia desses ele bateu todo errado
coração que não dispara não presta
é morto da silva
precisa de um susto
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
enquanto isso no reino de mariana
o sol nasce e esquenta a todos
todos se estendem em suas esteiras e cangas próprias
todos bebem e riem nas beiras dos mares e das piscinas
nas mesas os banquetes esperam pelos esfomeados
o sonho do proletariado é realizado
enquanto isso, mariana não se satisfaz
em seu reino não se espera que a comida brote nas mesas
não se estende simplesmente ao sol sem sombra de dúvida
a rainha mariana suspira ao contrário
e penso no que pensa
no reino de mariana sempre é tempo de imaginar
ainda que o estômago esteja cheio
ainda que o sol esteja quente
ainda que a água esteja ótima
ainda que a cerveja esteja gelada
nesse meio de tempo - o tempo é sempre um meio pra ela
ela constrói incontáveis histórias - histórias são construções, sim senhor
entre um momento e outro ela reserva um tempo pra construir
quem vê mariana imagina o que ela faz naquele lapso
é numa nesga de tempo que tudo se faz
e não ousem perturbar a rainha mariana no seu tempo
ela manda cortar nossas cabeças com um gesto
não que seja cruel, pelo contrário
apenas sabe que suas construções são obras sérias
suas obras são seu reinado
se a rainha mariana imaginasse o que seus súditos imaginam
se ela soubesse os comichões que nos provoca
talvez ela saiba, talvez
que imaginamos as suas histórias
que rabiscamos rascunhando aqui e ali
rascunhar é um delito bom de cometer
é feitiçaria e descobrimento
colhidos da despretensão dessa rainha louca, mas não é bem isso
não é possível desvendar o reino construído por mariana
não é bem isso, não
todos se estendem em suas esteiras e cangas próprias
todos bebem e riem nas beiras dos mares e das piscinas
nas mesas os banquetes esperam pelos esfomeados
o sonho do proletariado é realizado
enquanto isso, mariana não se satisfaz
em seu reino não se espera que a comida brote nas mesas
não se estende simplesmente ao sol sem sombra de dúvida
a rainha mariana suspira ao contrário
e penso no que pensa
no reino de mariana sempre é tempo de imaginar
ainda que o estômago esteja cheio
ainda que o sol esteja quente
ainda que a água esteja ótima
ainda que a cerveja esteja gelada
nesse meio de tempo - o tempo é sempre um meio pra ela
ela constrói incontáveis histórias - histórias são construções, sim senhor
entre um momento e outro ela reserva um tempo pra construir
quem vê mariana imagina o que ela faz naquele lapso
é numa nesga de tempo que tudo se faz
e não ousem perturbar a rainha mariana no seu tempo
ela manda cortar nossas cabeças com um gesto
não que seja cruel, pelo contrário
apenas sabe que suas construções são obras sérias
suas obras são seu reinado
se a rainha mariana imaginasse o que seus súditos imaginam
se ela soubesse os comichões que nos provoca
talvez ela saiba, talvez
que imaginamos as suas histórias
que rabiscamos rascunhando aqui e ali
rascunhar é um delito bom de cometer
é feitiçaria e descobrimento
colhidos da despretensão dessa rainha louca, mas não é bem isso
não é possível desvendar o reino construído por mariana
não é bem isso, não
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