quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

perdidos

registre-se neste documento cabeça perdida nos últimos dias. do sexto ao décimo quarto dia do mês corrente (data aproximada) a escrevente percebeu que havia algo estranho, uma ausência. ao final do referido período, notou que faltava-lhe a cabeça. após breve investigação, foi constatada a efetiva ausência desta que é uma das partes mais importantes do corpo humano. mesmo prejudicada pela falta de tão importante órgão, a escrevente procurou saber onde encontrava-se a cabeça perdida. lembrou-se que seus últimos pensamentos tinham se fixado em determinada e conhecida pessoa. seguindo as pistas dadas pelos seus pensamentos, estranhamente registrados em outras partes do corpo, pôde concluir que sua cabeça estava de fato na outra pessoa. tendo sido conhecido o destino da cabeça da escrevente, a mesma achou por bem não contrariar a vontade de cabeça tão pouco dada a deslocamentos. assim sendo, a vítima opta pelo empréstimo irrestrito de seus pensamentos a tal pessoa, abrindo mão de quaisquer punições pelo sequestro involuntário de sua cabeça. a escrevente declara concordar plenamente com o rapto, ressalvando-se situação em que haja falta de interesse por parte da outra pessoa. em caso de desinteresse, a cabeça deverá ser devolvida com ou sem danos.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

convicta

arranco os pelos e isso dói, mas não me preocupa não.
preocupo-me com os porquês, como ter uma estante cheia e nunca pegar um livro.
ou quase nunca. corro os olhos pelas coisas que estão em desuso.
vejo os cinco cadernos cheios de folhas brancas e amareladas. pilhas de canetas e ideias bobas.
me apego ao que é mais concreto: os pelos. não os pelos em si, mas arrancá-los. no fim, são tão inúteis quanto os cadernos vazios.
desligar a internet e enrolar um cigarro, fumar esse cigarro e então abrir um livro.
ainda assim, as coisas em si não interessam mais. lavar a roupa ou escrever um poema, qual a diferença?
se faço tudo com um tanto suficiente de desatenção.
ando determinada a valorizar as mais pequenas coisas, quanto menor mais importante. afinal, é nas pequenas coisas... é nos pequenos frascos...
deixá-los ou arrancá-los importa menos do que a convicção com que o faço.
ontem elogiaram meu boquete e eu não me esforcei.
assim sendo, resolvo me tornar uma extirpadora de maus hábitos, também conhecidos como bons. aqueles que nos levam a ser sensatos.
abro mão de uma campanha e me engajo em outra com a mesma emoção com que ensinava noutro dia.
não sei bem o que é agora. se ler, escrever, ou só sair da internet. cortar as unhas, ser feliz, ou tomar uma cerveja.
tenho plena convicção disso.

domingo, 1 de setembro de 2013

microconto

eram três cadelas salsicha: bianca, medéia e shiva (a destruidora)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

assunto: desencontro

o que você acha da gente se desencontrar qualquer dia desses? não precisa ser nada como um café, ou um drinque, que me parecem muito comprometedores. a gente podia se desencontrar na rua, ou no trabalho, sem encanto. se conseguíssemos nos desencontrar seria tudo bem simples, ninguém esperaria nada e alguma coisa seria possível. topa?

ps: nossos últimos desencontros foram promissores

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

como ser feliz num apartamento em perdizes?

a hora que eu acordei ouvi um silêncio chato que se tornava mais evidente com os sons de descarga do apartamento de cima. logo ia começar o toc-toc apressado da vizinha que, aparentemente, estava sempre atrasada pro trabalho. o sol batendo na janela de alumínio que eu detesto. abri a janela e o sol bateu na minha cara. do lado de fora, os carros começam a sair das garagens subterrâneas. me lembram formigas saindo do buraco pra buscar folhas e farelos. os barulhos da manhã. som de motores. interruptores. bocejo de criança. chaves girando nas fechaduras. xícaras. acorda amor, tá o maior sol. não sei como você consegue dormir assim. ele bufa e se enrola mais no edredom. sempre fico em dúvida se tento de novo, sempre resolvo que não. o melhor despertador era o café. um espreguiçar comprido de boca aberta.
vestir os chinelos e começar o dia. ficar feliz com o sol.

terça-feira, 23 de julho de 2013

- me vê um suco de melancolia
- suco de melancia?
- pode ser