quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

documento - educação

o loirinho trouxe hitler para a sala
um olhar ingênuo, mas tão ingênuo que ficamos em dúvida sobre sua veracidade
ele afirmou achar curioso
hitler pintava, isso era curioso
era o outro lado do assassino
ele tinha um lado artístico, foi reprovado na escola de belas artes e virou líder político
e se ele tivesse sido aprovado? o loirinho provocou
ele achava uma curiosidade
um dos negros presentes perguntou - porquê entre tantos pintores de verdade você escolheu o hitler?
- porque achei que era uma curiosidade
os nossos olhos iam se esbugalhando mais
um dos adultos perguntou - e sobre o lado exterminador do hitler, o lado mais conhecido, o que você pensa?
angelical
loirinho e
dissimulado
- acho interessante ele ter conseguido juntar tantos seguidores, admiro a ordem e a disciplina
o adulto, ele sim ingênuo - então você pensa que o nazismo não era tão mal, porque ordem é bom?
- ah sim, eu gosto de ordem
tudo isso sem mudar a expressão
curiosidade
rejeição
violência
força
liderança
ordem
disciplina
argumentos conhecidos
as obras medíocres de hitler impressas e distribuídas na sala


e no fim eu vi que não tinha nenhuma ingenuidade, tinha afinidade ideológica
talvez já estivesse num processo doutrinário
talvez fosse uma estratégia para nos chocar
ou uma tática comum de agenciamento usada pelos nazis
não sei, nenhum neonazista careca ou cabeludo jamais me abordou com seu papo
não sei como chegam
mas sei que chegam e cooptam jovens loirinhos e pobres
(já conheci um uma vez, era um jovem militar)
numa tentiva de ofensa perguntaram se ele considerava-se nazista
ele sorriu pra nós suavemente
não respondeu
como se soubesse algo valioso, como se fosse especial
melhor que a gente
é que eu sou loiro, né? - irônico
ele se acha superior e conhece estratégias de luta ideológica
ele é um adolescente de 15 anos
o que fazemos?

7 comentários:

Fernanda Moreno disse...

que medo disso Flá...

nem vou perguntar se é real porque imagino que seja... já vi coisas semelhantes...

Daniel (seu ex-anônimo) disse...

Com ele, nada, porque o buraco ali deve ser mais embaixo - dessas coisas sexuais e psíquicas que uma conversa não reverte.

Mas seria interessante mostrar a todo mundo (ele inclusive) um documentário bem feito sobre a revolta social, com não-violência, dos negros nos EUA dos anos 60 e seus resultados. Talvez ele se desespere quando notar que foram suscitados nas outras pessoas sentimentos invencíveis e contrários ao que prega.

Ou, então, você deixa que as porradas da vida o ajustem, porque vai que um moleque desses cisma com você!?

PS: Apesar de ler sempre por essas bandas, não gosto muito de comentar, porque eu cheguei aqui pelas letras do outro Daniel, o original. Fico com uma sensação que sou o amante, que entra pela janela.

flávia coelho disse...

uia gente, um daniel amante! venha venha, o original nem é ciumento e além do mais me abandonou
obrigada

flávia coelho disse...

ps: é você o anônimo metido? se for, prazer!

Caio Dezorzi disse...

Já tive a infelicidade de conhecer um desses...

Daniel disse...

Por que metido? Na verdade, eu sou um bicho-do-mato carregado de gírias cariocas, mas tenho que injetar uma dose de hipocrisia, senão a vida fica chata demais.

Anônimo disse...
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